Diablo a Ordem

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“O demônio mente.

Sim, é claro que ele mente. Mas mentiras costumam vir envoltas na verdade.”

Quando comecei a ler esse livro, eu realmente não sabia o que esperar dele. Embora eu tenha algum conhecimento dos jogos “Diablo” (I e II), tais conhecimentos não estavam ligados ao jogo em si porque, e agora eu digo, infelizmente, eu nunca tinha jogado nenhuma das versões de “Diablo”. Para começar essa resenha, digo que, ao terminar de ler esse livro, simplesmente desejo os jogos Diablo II e Diablo III, assim como também desejo que mais livros na linha desse sejam escritos e lançados, pois foi mais uma dessas leituras de 2012, das quais não espero muita coisa, e acabo me surpreendendo de um jeito bom.

Alerta: Tanto o jogo quanto o livro são aconselhados para adultos.

Seja você fã do jogo ou não (e, acredite, talvez fique com muita vontade de jogar depois de ler esse livro), você pode ler o livro sem problemas, afinal, esse livro não é feito somente para fãs e, pelo menos comigo, conseguiu “angariar” mais uma jogadora de Diablo.

Mas afinal, do que se trata a história do game e do livro?

“Diablo”, em todas as suas instâncias, seja no livro ou nos jogos, lida com uma batalha eterna entre diabos (Diablo, Mephisto e Belial) e a cidade de Santuário, criada pelo anjo Tyrael e… bem, depois de vários eventos, explicados em vídeos sobre o jogo e no livro que estou aqui resenhando, a cidade se tornou um lugar bem “amaldiçoado”, digamos assim, sendo alvo de forças das trevas infernais.

Deckard cerrou os punhos.

– Que destino maior? Os Horadrim se acabaram, então você se tornou uma contadora de histórias para preencher o vazio. Mas o povo de Tristam ri de você. Olhe em volta, mãe! Onde estão seus anjos e demônios? Onde estão seus heróis? Os Horadrim já estão mortos e enterrados, e essa cidade continua a mesma! 

***

O lampião tremeluziu, como se o hálito de uma presença invisível o tocasse. Sombras dançaram nas paredes, e por um momento o menino achou que ouvia um sussurro: Deckaaaaard…

***

A explosão na montanha tinha se parecido com dois guerreiros investindo para a própria ruína, com espadas se movendo em relances, que pareciam ter saído ilesos do impacto, por um instante antes de começarem a cambalear, abrindo as bocas sangrentas, e caírem de joelhos, feridos mortalmente. 

Aí você se pergunta se é aquela simples batalha entre o bem e o mal. Sim e não. Sim, porque temos batalhas entre o bem e o mal. Não porque não é simples e somente isso. Uma das coisas mais interessantes da mitologia de Diablo é justamente a coexistência entre demônios, anjos e deuses, ou seja, não é o típico Inferno do monoteísmo, e eu gostei dessa mescla. Especialmente do que os deuses do fogo podem imbuir em alguém e… já estou me adiantando.

O final do caminho estava salpicado de pontos vermelho-escuros. Sangue. O jovem já ouvira falar dos manguais, feras terríveis como dragões com dentes monstruosos e garras que podiam dilacerar um homem. Ele podia lutar com sua espada contra qualquer criatura de carne; eram as criaturas do além as mais ameaçadoras, ele pensou, embora jamais tivesse encontrado uma.

***

As incertezas de Cain retornaram. Ele passara a maior parte da vida no egoísmo e na negação, vivendo entre os livros e ignorando o próprio passado. Esperara cinquenta anos para abraçar o seu destino, e no processo ajudara a destruir tudo o que mais amava. Será que ele poderia mesmo se considerar um Horadrim?

***

O demônio guinchou e a joia em sua mão refletia a cor brilhante; a espada caiu no chão e a forma de Akarat desapareceu, esvanecendo como o borrão que o sol deixa nos olhos dos homens quando eles piscam perdidos na cegueira.

O livro “Diablo III, A Ordem” é uma leitura deliciosa, mas agonizante ao mesmo tempo. Sangue, violência, gore, tramas conspiratórias, tudo isso mesclado a profecias e personagens não perfeitinhos que seguem trilhas tortuosas na tentativa de salvar seu mundo da destruição infernal e, se não para serem vitoriosos para sempre, pelo menos comprarem um tempo de trégua e paz…

A deterioração física de Gillian com certeza era reflexo de seu interior tumultuado. A contaminação de Diablo persistia, mesmo tanto tempo após a morte do Senhor do Medo. 

***

O Sombrio esperou até que Belial estivesse pronto para falar. A voz do Mal Inferior, quando soou, era profunda e poderosa, como um terremoto vindo de dentro do peito humano e ressoando por toda parte.

*** 

Ao longe, as terras pareciam um vasto deserto de morte e destruição. O mar costeava a região, quieto e mortal como uma besta adormecida com mil tentáculos, o lar dos corpos inchados e dos túmulos d’água.

 ***

O contato próximo com demônios frequentemente enlouquecia as pessoas, e as sequelas podiam aparecer anos depois, ampliando-se como ondulações em um lago.

***

Ele aprendeu algo sobre a natureza humana naquele tempo: muitas pessoas, quando ficavam sozinhas, comportavam-se de modo diferente. Crianças ouviam histórias sobre demônios e monstros que serviam para mantê-las na linha, mas parecia que os verdadeiros monstros, na verdade, eram bem humanos.

Mas a paz é algo que parece impossível no mundo de Diablo. É um mundo que lida com poder, sangue, profecias, tomada de decisões que podem fazer com que muito seja perdido… O típico plano de fundo de Dark Fantasy, extremamente bem elaborado em termos de mundo e personagens é o que encontramos também nesse livro. Temos a criança da profecia, o velho erudito que deve se tornar herói, o último dos Horadrim, ordem criada pelo próprio Tyrael, e um monge que me fez lembrar do Miroku, de InuYasha e que, depois, quando fui dar uma olhada nos vídeos e nos gráficos e nas ilustrações do jogo, percebi que é uma versão de monge bem parecida com ele, só que, no jogo, os traços, obviamente, rs, não são de anime. ^^

Vira pessoas sendo desmembradas diante dela, bebês sendo devorados por mortos-vivos famintos, cabeças empaladas por diabretes tagalerantes que se banhavam no sangue dos habitantes da cidade.

***

O monge escutava os deuses, que falavam com ele através do vento, da chuva, dos rios e da vida selvagem. Faria contato com Cain quando eles escolhessem a hora propícia.

***

Desta vez ele atravessou as câmaras de homens pendurados em ganchos e desceu ainda mais. Gemidos e sons de correntes o seguiram até uma grande sala onde nenhuma tocha brilhava nas paredes cobertas de musgo.

***

Os espectros demoníacos se reuniram ao redor, soltando chiados de prazer, prontos para se banhar em sangue, com os corpos grotescos pulsando excitados.

***

O cadáver de uma mulher estava sentado com as costas apoiadas na parede; larvas rastejavam nas órbitas oculares vazias, parte do pescoço faltava, como se alguma coisa o tivesse mastigado. A ferida ainda estava úmida.

Uma das coisas fundamentais em um livro para mim, para prender a minha leitura, é a existência de personagens pelos quais eu sinta alguma coisa. Seja ódio, compaixão, enfim, que me evoquem algum sentimento. E esses três personagens que citei acima são os melhores na história, embora vários outros personagens secundários também tenham me despertado interesse, dó, repulsa, enfim, uma pletora de sentimentos diversos.

Ele fora cortado da garganta à virilha, e suas entranhas se derramavam para fora, penduradas sobre o chão cheio de pó e sangue.

***

Nacos de carne morta voaram para todos os lados, cobrindo os homens mais próximos de sangue. Pedaços de pedra caíram das paredes e rolaram aos pés de Cain. Parte de um braço caiu ao lado de uma rocha, contraiu-se e quedou inerte.

Embora o final tenha, obviamente, ficado em aberto, já que se trata de uma luta constante contra poderes infernais, você, leitor, não precisa se preocupar, porque o arco do livro é totalmente fechado, a história dele se encerra, deixando pontos abertos para histórias futuras, sem deixar o leitor com aquele desprazer amargo que fica quando a história não é bem encerrada porque haverá uma continuação.

E espero que venham continuações. Quero novamente sentir as tristezas, as felicidades e os apuros desses personagens tão queridos. Diablo III, A Ordem, é um dos livros mais legais que li esse ano – um ano em que li vários livros bons, por sinal – e, junto com a Companhia Negra, um belo exemplar de Dark Fantasy, com descrições detalhadíssimas, como vocês poderão ver nas citações entremeadas a essa resenha.

Caso você termine de ler esse livro e fique com aquele gostinho de quero mais na boca… sempre dá para se aventurar nos jogos em si, claro. E torcer para que novos livros como esse saiam o mais rápido possível, para retornar na leitura ao mundo de Santuário e Diablo e seus irmãos.

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